TRANSCRIÇÃO DO TEXTO : AUTONOMIA OU ATALHO ?

Transcreverei abaixo o artigo intitulado : ” Autonomia ou Atalho? ” de Karin Scarpa , por ter gostado imensamente do conteúdo bem verdadeiro dele .

Não obstante , antes farei algumas considerações pessoais sobre ele :

Eu também cresci dessa maneira e não tenho nenhum trauma . Eu tive ainda a enorme satisfação de ter sido professora nesse período tão bem  descrito pela Karin  e foi muito gratificante , apesar de ganharmos pouco , porém , tínhamos “status” e éramos respeitadas , tanto pela direção das escolas  em que trabalhávamos quanto pelos pais dos alunos e os próprios alunos .

Quantas vezes as mães se dirigiam a nós , se queixando e pedindo ajuda porque , em casa , os filhos não estavam se comportando bem . Bastava um “sermão ” nosso nos alunos e logo as coisas melhoravam .

Apesar de tratar bem meus alunos eu era uma professora muito exigente , como eles diziam .Ainda hoje , mantenho contatos com alguns deles  e muitos já são até avós.

Tenho uma grande pena dos professores de hoje que , além de trabalharem muito , não contam com o apoio da diretora e muito menos dos pais e dos alunos ;mundo estes só querem saber  de receber as famigeradas Bolsas Escola e Família ; ao invés de se instruírem para que possam viver uma vida digna e respeitável .

Ledo engano desses maus pais e alunos pensarem que têm autonomia !…

Mais uma vez Karin Scarpa  , parabéns ! Você foi bastante lúcida e feliz na escolha do seu tema !…

TRANSCRIÇÃO DE “AUTONOMIA OU ATALHO ?

Cresci dependendo de meus pais. Dependendo de uma autorização, de um ok, de um olhar. Nada no reino encantado de nossa família podia ser feito sem consentimento. NADA. Se estivesse sol, eu de férias e sem nada para fazer, não podia entrar na piscina sem um “manhê, posso cair na água?” Se estivesse sem sono também não podia ficar na sala e dormir mais tarde, esperando o sono chegar. Meu quarto me aguardava desde às 20:30. Novela das oito, nem pensar. Vai ver é por isso que não curto esse tipo de programa. E eu não era uma exceção. Minhas amigas respeitavam os mesmos contratos. Isso era pré-estabelecido desde o útero, eu acho.

Quando nos dirigíamos a um adulto era sempre olhando para cima, com um “seu” ou “dona” precedendo o nome e nunca, mas nunca mesmo, podíamos respondê-lo. Ele tinha sempre razão. Mesmo quando não tinha. Depois, caso ele estivesse mesmo errado, minha mãe até resolvia a situação, em casos bem extremos, mas nunca eu. NUNCA. Eu falava com ela e ela com a tal pessoa. Era uma hierarquia muito bem definida e respeitada.

Se um adulto tinha sempre razão, a professora então… Essa era inquestionável. Pelo menos por seus alunos. Ali, ela era pai, mãe e juíza. Se ela definia uma coisa você tinha duas opções: obedecer de pronto ou reclamar com seus pais, e então você obedecia e ainda ficava de castigo. Ou seja, o professor era o senhor daquele castelo chamado sala de aula e nem você nem seus pais interferiam nisso. Aliás, seus pais já havia aprendido isso com os pais deles e assinavam embaixo dessa verdade absoluta. O professor era um ser quase etéreo. Se ele olhasse feio você tremia, se ele te desse um sorriso você ganhava o mundo. Ele te ensinava a segurar no lápis, a sentar com classe e postura, a ouvir, a falar, a se calar. Ensinava que 2+2 era igual a 4, que D. Pedro foi imperador do Brasil, que hino nacional se canta com muito orgulho e sem nenhuma brincadeira, que a caneta vermelha significa que você tem que estudar mais, que o uniforme é sagrado e não pode ser customizado (exceto no último dia do ano quando todos podiam escrever na camiseta), que unhas devem ser cortadas e sapatos devem estar sempre limpos. Ele era o cara. Ou ela era, já que na maioria dos casos eram mulheres que povoavam as escolas primárias. Ela te deixava tranquilo que todos eram iguais, mesmo que tivesse uma quedinha indisfarçável por um ou outro coleguinha. Tudo era sempre igual e essa certeza dava uma segurança incrível. A mãe de ninguém entrava na sala para questionar seus métodos, suas roupas, seu tom de voz. Ali a mãe era figurante. E feliz com esse papel.

Hoje vejo tudo tão mexido, transformado, customizado… Pais se orgulham dos filhos recém saídos das fraldas se virarem sozinhos. Filhos que tem telefone celular, perfil em rede social e fones nos ouvidos até para dormir. Filhos que escolhem a cor do cabelo, o esmalte das unhas e o tom que vão usar com o adulto da vez. Hoje esses mini adultos se julgam tão senhores da situação que a gente até duvida de que eles tenham apenas uma década de existência. Eles escolhem o restaurante que vão almoçar no fim de semana, se vão ou não participar de um passeio em família, escolhem o amiguinho que vão levar para casa, o destino da próxima viagem e ganham de mesada o que a gente nunca ganhou de presente de aniversário. Tem alguns que ainda escolhem se gostam ou não do professor e se ele está agindo ou não dentro dos limites. Tem outros que antes dos 10 já viajaram sozinhos e portanto já “se viraram” em mais de um estado, às vezes em mais de um país.

A isso, os pais orgulhosos, dão o nome de autonomia. Eu me pergunto se não seria apenas um “atalho perigoso”. Isto porque se por um lado se torna mais fácil delegar decisões aos pequenos, livrando-nos de tarefas cansativas e desgastantes, por outro acabamos pulando etapas e encurtando o caminho para o futuro. Em outras palavras, se ensinamos que se bastam sozinhos aos 10 temos que aceitar o pacote completo e deixar de suspirar pelos cantos culpando a escola, o déficit de atenção ou os aparelhos eletrônicos por reproduzirem atitudes cada vez mais deselegantes, desrespeitosas e pouco afetivas. Se implementamos uma nova criação hoje não podemos esperar para amanhã os resultados de ontem. Nessa nova matemática, 2+2 nem sempre dará 4.

(AUTORA : karin Scarpa )

(SITE : criançasdeapartamento.com.br )

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Sobre vileite

Sou uma pessoa amiga e confiável !Sou contra todas as formas de opressão e comunismo . Acredito na justiça divina que não falha nunca!
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